Será que ninguém mais lê?

Pesquisa do Banco Mundial aponta que os estudantes brasileiros demorarão mais de 260 anos para atingir a qualidade de leitura de países desenvolvidos. O que dirá dos não estudantes?

Um texto de jornal, blog, legendas nas redes sociais ou mesmo um contrato, a bula de um remédio? Quem sabe o cardápio… Será que ninguém lê? Será que há no mundo mais “escritores’ que leitores? O que será dos livros então, aqueles tradicionais impressos de muitas páginas, caprichosamente editados e publicados com capas cheias de arte, com histórias fascinantes, ou informações relevantes, tornando a realidade mais compreensível, seja lá qual for o objetivo do leitor? O hábito da leitura é mesmo um desafio.

Conquistar um leitor e prender a sua atenção se tornou tarefa árdua. Leitores são como peixes raros fisgados na imensidão de um oceano repleto de preguiça ou falta de tempo (embora o tempo seja sempre uma questão bastante relativa).

“No início de 2018, o Banco Mundial lançou uma pesquisa apontando que os estudantes brasileiros demorarão mais de 260 anos para atingir a qualidade de leitura de países desenvolvidos. O quadro desanimador aponta um risco para o pensamento crítico dos estudantes brasileiros, pois a leitura estimula a reflexão e a interação entre ideias que fomentam discussões proveitosas para o desenvolvimento do conhecimento. Quanto menos a leitura for estimulada, menor será o pensamento crítico dos jovens, principalmente estudantes, no ambiente social.”

Esse pedaço de texto está em uma reportagem da Revista Exame, de maio de 2019, e aponta o dado preocupante considerando apenas estudantes. O que dirá do restante da população? Outras pesquisas apontam que o jovem lê mais (talvez devido às obrigações escolares) do que as pessoas na vida adulta. Independentemente, se alguém leu ou não o texto acima, o fato é que para “43% dos leitores, a falta de tempo se torna um grande inimigo”. Aliado a isso, tem-se o problema do desinteresse por parte dos não leitores. Por esses dois principais motivos, “faz-se necessária a construção de uma leitura interessante e de fácil acesso a todas as camadas sociais”, completa a revista.

Triste, não é? Triste? O que é triste? Será que você leu até aqui? Se leu, aproveite para refletir. Em outubro, há três datas sugestivas (e só sabe quem lê e se informa): o Dia Nacional da Leitura (12), Dia do Professor (15) e Dia Nacional do Livro (29). Juntamos as três neste artigo de cinco curtos parágrafos para te inspirar. Ler não é uma questão de vocação ou gosto, é um hábito. Não há limite de idade, pois é mais uma questão de interesse e de querer saber mais. Além de respeito ao escritor! Se alguém escreveu algo, foi em consideração a quem lê. Lembre-se disso quando sentir-se desanimado a continuar uma leitura, insistir pode fazer a diferença na sua rotina de leitor.

Ser Professor: vale a pena?

15 de outubro é a data criada para homenagear o profissional que forma todos os outros

Quanto vale ser o profissional que forma todos os outros, que ensina as primeiras letras e os primeiros cálculos e educa para a vida? Vale tudo! Esse é o professor, que no Brasil tem levantado historicamente a bandeira pela maior valorização salarial, melhores condições e redução do excesso de trabalho. Mas que – com todo amor – não abandona a verdadeira missão e vocação de preparar futuros cidadãos para a vida adulta.

Hoje, é o dia dele. Data inspirada na criação, em 15 de outubro de 1827, ainda pelo Imperador do Brasil, Dom Pedro I, da Lei do Ensino Elementar no Brasil – ou “Escola de Primeiras Letras”. Todas as cidades deveriam ter suas escolas de primeiro grau. Questões trabalhistas dos professores, inclusive o salário, estavam contidas no decreto. A data passou a ser comemorada tempos depois, e foi oficializada nacionalmente como feriado escolar em 1963.

Em janeiro de 2019, o piso nacional salarial do magistério foi para pouco mais de R$ 2,5 mil, para início de carreira, trabalhando em redes públicas da Educação Básica, com formação de nível médio e jornada de 40 horas semanais, de acordo com o Ministério da Educação. Em comparação a 2018, o reajuste aplicado ficou ligeiramente acima da inflação, o que ocorreu com outras categorias de trabalhadores no mesmo ano. Porém, se comparado à recomposição de outras áreas, como o Judiciário, por exemplo (cerca de 16% de índice, diante de 4,17% de professores), ainda é nítida e notória a desvalorização do professor brasileiro. Ele, que forma também juízes, ainda se vê com as mesmas bandeiras nas mãos, sem perder a esperança de dias melhores amanhã, enquanto continuam ensinando tudo o que sabem no presente.

Desde março de 2020 com o início do isolamento social no Brasil, devido à pandemia do Coronavírus, os professores foram afastados das escolas, mas não de sua função, pois continuaram contribuindo com a aprendizagem e o desenvolvimento de seus alunos.

Como relatou, em 08 de junho, Regina Silva, que é diretora pedagógica da unidade de tecnologia educacional da Positivo Tecnologia e especialista em soluções para escolas, para a Revista Educação:O professor, depois da covid-19, assim como qualquer um de nós (inclusive os estudantes), será um profissional mais preocupado com o outro, que valoriza as relações interpessoais. A principal transformação que a crise nos trará está ligada ao envolvimento, engajamento e determinação para fazer e ser diferente. Quando as aulas presenciais retornarem, o professor certamente estará mais antenado às estratégias diferenciadas e ao novo. Será capaz de enxergar, avaliar e aliar o interesse dos alunos aos recursos usados em sua prática pedagógica diária. Isso proporcionará mais dinâmicas para aulas, engajamento dos alunos e, consequente, mais aprendizagem. Estamos prestes a vivenciar a decolagem da educação 4.0 no Brasil, definitivamente.”

Agora, gradativamente, as escolas começam a reabrir as portas para os seus alunos enquanto o país segue buscando a imunização através da vacinação. O ambiente escolar volta a ser povoado por mestre e estudantes, mas os avanços que permitiram à docência ultrapassar os limites institucionais e os espaços físicos seguem ecoando, pois foram eles e o empenho dos educadores que possibilitaram que o ensino mantivesse seu curso. Mesmo que de maneira remota.

Para todos os professores, desejamos que vocês sejam recompensados e reconhecidos por todo o trabalho que fazem. Só conseguimos vislumbrar um melhor futuro com a sua ajuda!